Celso Barbieri Correspondentes Internacionais

Barbieri Indica: “GASLIGHTING”, inesperadamente percebendo que você pode estar sendo “manipulado” pelas pessoas ao seu redor

Traduzido e adaptado por A. C. Barbieri.

 

GASLIGHTING (gas+iluminação) literalmente significa “iluminação à gas”, mas é uma palavra nova que significa MANIPULAÇÃO. Trata-se de uma forma bem específica de manipulação onde, num debate ou diálogo, um dos participantes controla o outro para, não só neutralizá-lo como também reduzi-lo!

Gaslighting nem sempre é uma forma consciente de comportamento nos relacionamentos: pode se manifestar sem que você esteja plenamente consciente disso.

Seja Bolsonaro nos dizendo que Codiv-19 é apenas uma gripinha ou mesmo Donald Trump postando “notícias falsas”, a “iluminação à gás” está muito presente nesta era digital pós-bloqueio.

Mas o que geralmente não reconhecemos com essa forma tóxica de comportamento é que ela é tão facilmente aplicada tanto a nós mesmos quanto às outras pessoas.

Embora a “iluminação à gás” (manipulação) seja um tipo de abuso muito comum e corrosivo nos relacionamentos ou mesmo no local de trabalho, também é um hábito comum que podemos adquirir.

“Gaslighting é usado por pessoas para fazer com que as outras questionem sua versão da realidade”, escreve a terapeuta Claire Jack em um artigo para Psychology Today.

“É uma maneira eficaz de convencer alguém de que você está certo e que a outra pessoa errada. Ao fazer isso, você pode manipular as pessoas para agir de maneira a atender às suas necessidades e colocá-las em uma posição fraca dentro do relacionamento. ”

Gaslighting faz com que outras pessoas questionem sua versão da realidade.

Jack explica que tendemos a pensar na “iluminação à gás” (manipulação) como uma tática muito intencional: um meio pelo qual pessoas manipuladoras podem afirmar seu poder sobre outras.

Embora isso aconteça com frequência, Jack diz que também pode ocorrer sem que você queira. Em outras palavras, você acaba tirando o poder das pessoas ao seu redor ou prejudicando a auto-estima delas, sem perceber que está fazendo isso.

Um cenário típico em que isso pode acontecer é a reação aos argumentos acirrados. Digamos que você briga com seu parceiro, um membro da família ou um amigo por causa de algo e não conseguiram chegar a uma solução.

Depois, você poderá ficar tentando ignorar o assunto, não fazendo mais referência a ele. Mas, embora isso possa parecer uma reação positiva (para evitar novos conflitos), Jack diz que na verdade é um tipo “iluminação à gás” (manipulação).

“Se seu parceiro, amigo ou colega manifestar o desejo de falar sobre o que aconteceu, você o ignora ou redefine a discussão como ‘um pouco complicada’, recusando-se a reconhecer que, pelo menos, para a outra pessoa, era um fato significativo, um evento que precisava ser tratado? ” ela diz.

“Desconsiderar as necessidades emocionais e de processamento de outras pessoas dessa maneira, com o tempo, tem o efeito de silenciá-las. Qual é a validade que existe em discutir as coisas com você se você negar a importância do que aconteceu antes?

Essa reação também é valida para qualquer mau comportamento que possa ter ocorrido durante a discussão (gritar, xingar etc.) e banaliza a mágoa que a outra pessoa sente como resultado.

Então, qual é a maneira mais saudável de reagir a uma discussão? Um estudo de 2019 publicado no Journal of Family Psychology sugere que o “reparo ativo” é o melhor caminho a seguir.

Isso envolve qualquer coisa, desde pedir desculpas a chegar a um acordo ou discutir o assunto: mas, crucialmente, você precisa reconhecer o que aconteceu, as suas consequências e qualquer transtorno causado como resultado.

Outra observação secundária é que quando você começa a refletir sobre a sua discussão você deve evitar frases passivas-agressivas, como “me desculpe se …” ou “por que você está tão chateado?”

Novamente, estas frases se aventuram no território da “iluminação à gás” (manipulação), fazendo a outra pessoa questionar a verdade de seus sentimentos.

Em vez disso, tente “comunicação direta, emocionalmente honesta e assertiva”, diz Andrea Brandt, autora de “8 Keys to Elimining Passive-Agrgressiveness”.

Ela sugere que os sentimentos da outra pessoa sejam validados, reconhecendo de onde eles vêm, mesmo que você não concorde com eles. Por exemplo, “Querido, entendo que você esteja chateado porque precisa sair amanhã à noite para jantar com minha família. No entanto, é muito importante para mim e agradeço por fazer isso.”

Como a terapeuta de relacionamentos Elizabeth Earnshaw aponta em um post esclarecedor sobre este tópico, o “Gaslighting” é algo que porque é uma resposta que deve ser aprendida, nos relacionamentos “a maioria das pessoas não escolhe conscientemente usar”.

Então no futuro, em novos conflitos, com mais consciência, você poderá substituir suas antigas falas por reações mais saudáveis ​​que ajudem você e as pessoas ao seu redor a se sentirem valorizadas e seguras no relacionamento que ambos compartilham.

Então, é importante aprender a reconhecer que gaslighting pode ser empoderador pois, permitirá que você veja o que está acontecendo e responda de uma maneira que permita manter seu poder. Portanto abaixo seguem algumas táticas práticas de como funciona a coisa.

As táticas de Gaslighting podem se parecer com:

• Isolando você do seu sistema de suporte.

Isolando você do seu sistema de suporte, dizendo coisas como “seu terapeuta é terrível!” (Quando você tem um relacionamento de confiança e apoio com seu terapeuta) ou “sua mãe não consegue nem administrar a própria vida e muito menos aconselhá-lo!”

• Dizendo o que as outras pessoas “pensam de você” para fazer você questionar sua perspectiva.

Dizendo o que as outras pessoas “pensam de você” para desviar da validade do seu argumento – “você sabe, todo mundo fala sobre o quão dramático (nervoso ou político) você é!”

• Deflexão, trazendo tópicos tangenciais em resposta ao seu ponto.

Deflexões tangenciais – você aponta uma questão e o interlocutor responde traz outras 80 questões que não tem nada a ver com o assunto.

• Usar a posição de poder deles para dificultar a manutenção da sua posição.

Eles usam sua posição de poder para dificultar a batalha verbal contra eles

• Pedir para você adivinhar sua realidade.

Eles pedem para você adivinhar sua realidade – “você tem certeza?” , “Vamos lá, eles não
realmente falaram isso ”, “do que você está falando? Eu não gritei! (Quando eles claramente fizeram, Bolsonaro é campeão nesta atitude).

• Pressão para não apenas concordar com eles, mas para invalidar a si próprio.

O seu interlocutor não para de pressionar para concordar com ele – seguindo você em casa, nas Redes Sociais e tentando se explicar e validar suas ideias o tempo todo. O seu adversário não é feliz, a menos que você se invalide, rejeite a sua realidade e aceite que está errado.

Gaslighting é uma tática abusiva nos relacionamentos. A maioria das pessoas não escolhe conscientemente usá-lo, mas aprendeu a usá-lo e, com o tempo, sua mente começou a entender que funciona – que, em última análise, sua responsabilidade é reduzida, assim como sua ansiedade e conflito interno no problema e, a energia é restaurada.

Barbieri Comenta: Bom, acredito que, como eu, muitos de vocês perceberam as ligações com a nossa realidade atual. Trata-se de realmente de um assunto importante que nos nos ajudará a manter a nossa sanidade mental neste dias de inteligência zero em que vivemos! Portanto, devido à importância e relevância atual, tomo a liberdade de acrescentar aqui mais uma matéria sobre este assunto:

“Gaslighting” nos relacionamentos: psicólogo revela três estratégias de enfrentamento para lidar com relacionamentos tóxicos

Infelizmente, todos nós encontramos pessoas tóxicas em algum momento de nossas vidas (Barbieri comenta: hoje em dia quase todos os dias!). Se você encontrou Gaslighting ou comportamento coercitivo em um relacionamento, essas dicas podem ajudá-lo a lidar com ele.

É um fato desagradável da vida que todos nós teremos que lidar com pessoas tóxicas em algum momento ou outro. Eles podem assumir a forma de um chefe agressor, que é rápido em apontar falhas, mas lento em elogiar. Eles podem ser um parente autoritário que não entende seus limites. Eles podem até assumir a forma de um amigo ou parceiro e pode ser difícil reconhecer quando o relacionamento se tornou tóxico ou controlador ou quando você está passando por um “gaslighting”.

Pode ser difícil saber como lidar com as coisas quando uma situação se torna tóxica. No entanto, um psicólogo compartilhou uma série de estratégias de enfrentamento que podem ajudar a redefinir seus limites – e seu estado de espírito – ao lidar com esse relacionamento.

Escrevendo no Psychology Today, a psicoterapeuta Amy Morin, que também escreveu 13 coisas que as pessoas mentalmente fortes não fazem, explicou que as pessoas tóxicas podem ter “um problema sério no seu bem-estar mental”.

Ela passou a listar as estratégias de enfrentamento que recomenda a seus próprios clientes, a fim de ajudá-los a lidar com uma influência tóxica em suas vidas.

Como lidar com “gaslighting” nos relacionamentos: estabeleça limites emocionais

Infelizmente, você não pode sempre evitar pessoas tóxicas; eles podem estar no seu local de trabalho, sua casa, sua família ou seu círculo social. Isso significa que vê-los pode ser inevitável, tornando impossível estabelecer limites físicos para não passar tempo com eles.

“Recuse-se a permitir que eles ditem o tipo de dia que você terá”

No entanto, Morin ressalta que você pode estabelecer limites emocionais contra uma pessoa tóxica. Isso significa deliberadamente não deixá-los afetar o seu dia ou a sua estrutura mental, impedindo-os efetivamente de drenar sua energia emocional.

“Não reclame deles no seu tempo livre, recuse-se a permitir que eles ditem o tipo de dia que você terá e lembre-se de que pode regular seus sentimentos”, ela escreve.

“Não tente controlar uma pessoa tóxica”

Ao lidar com uma pessoa tóxica em sua vida, pode ser tentador tentar mudar seu comportamento. Por exemplo, você pode tentar obter elogios de seu chefe, mostrando-lhes repetidamente seu trabalho, o que levará a mais decepções se você não conseguir o que está procurando.

Como afirma Morin: “investir energia em desejar que outras pessoas sejam diferentes só desperdiça seu tempo”.

Em vez disso, mude seu foco para controlar como você responde a essa pessoa. “Se você fala ou se afasta, mostra que você tem opções de como lidar com a situação”, aponta Morin.

“Então, estabeleça limites e cumpra-os!”

Uma das coisas mais importantes a serem lembradas ao lidar com uma pessoa tóxica é que você precisa permanecer fiel à sua palavra. Por exemplo, se você deseja limitar o tempo que passa com alguém, ou mesmo cortá-lo completamente de sua vida, deve fazê-lo.

“Se você vai estabelecer limites com alguém, seja uma pessoa de palavra”, diz Morin. “Caso contrário, você estará contribuindo para a disfunção no seu relacionamento.”

Barbieri comenta: Bom, resumindo, primeiramente a pessoa é que tem que dar valor a si mesma e quando ela tomar uma atitude de confronto tem que toma-la conscientemente, deixando a emoção de lado e quando tomar a decisão leva-la até seu resultado final, senão a pessoa sairá mais fraca do que quando entrou na briga. Por outro lado “comprar briga” requer um estudo do poder do seu oponente! Lembre-se que na vida real, nem sempre David ganha do Golias! 🙂

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