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Ex-operário relata os abusos cometidos pelo Estado contra a classe trabalhadora durante o Regime Militar.

Por Jasper Lopes, Rogério Ramos e Leonardo Silva – Baixada de Fato

“Tive meu sogro preso e torturado , não quero que minhas filhas venham a crescer sob um regime de Ditadura Militar”. As palavras emocionadas ditas por Guilherme Boulos, no último debate presidencial antes do pleito realizado no dia 07 de outubro, revelam as mazelas de um regime que , embora aclamado por muitos, representa aquilo que há de pior quando o assunto é Liberdades e Direitos coletivos e individuais.

Em entrevista ao jornal Baixada de Fato, o ex-operário Stanislau Skarmeta, mais conhecido como Stan, sogro do candidato à Presidência da República pelo PSOL , Guilherme Boulos, conta um pouco da experiência que viveu durante os “anos de chumbo”, bem como as consequências de ser um militante operário engajado nas lutas da classe trabalhadora contra o arrocho salarial ou salário de fome, nas décadas de 1970 e 1980.

Stan conta que durante as greves de Osasco, entre 1967 e 1968, pode conhecer de perto a máquina repressiva do Estado contra a classe operária, sob comando de um regime militar.” “Os militares se juntam com os órgãos de repressão e começam a perseguir qualquer atividade dos trabalhadores nas suas reivindicações mínimas”, diz Stan.

O movimento que teve início em Contagem surgiu da capacidade dos trabalhadores se organizarem num processo de resistência e avançavam no processo de resistência dentro das fábricas. Em Osasco, os trabalhadores não tiveram tempo de se organizarem, pois o exército impediu o avanço da organização, prendendo trabalhadores e no processo de enfrentamento utilizando-se da tortura. “ Essa é a forma principal de enfrentamento por parte do Regime Militar, o encarceramento e a tortura”, relata Stan.

Quando indagado sobre as justificativas que o regime autoritário apresentava para agir de tal maneira , o ex-operário conta que não existia justificativa pois todos os dirigentes e líderes foram destituídos e os sindicatos foram ocupados por pessoas indicadas pelo regime. “Mesmo com toda a resistência liderada por José Ibrahim, não tinha negociação salarial, não tinha nada, o que a ditadura impôs a nós foi uma perseguição absurdamente destruidora que enfrentamos a duras penas , inclusive pagando com vidas.”

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