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“Falar sobre suicídio pode salvar vidas”, diz Lilian Lucas, presidenta da Associação Catarinense de Psiquiatria

Por Mauro Lopes, colunista do Blog Santos em Off.

Os números no País estão defasados, mas o suicídio já está entre as quatro principais causas de morte de jovens. A presidenta da Associação Catarinense de Psiquiatria, Lilian Lucas, conversou com o Blog Santos Em Off sobre o tema.

Qual é a incidência dos casos de suicídio no País? Crescem ou diminuem?

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2011, foram 10.490 mortes (Em 2015, 11.736 casos). Pelo menos 5,7 a cada 100 mil habitantes. Isto contando que o suicídio ainda é subnotificado no País. Entre pessoas de 15 a 29 anos é a quarta causa de morte.

Quais são as principais causas?

Em mais de 95% dos casos a causa é uma doença mental não tratada como depressão.

A imprensa não publica casos de suicídio, para evitar o estímulo. O que acha disso?

Essa é uma medida importante. Um caso específico de suicídio não deve ser uma “notícia”. Já esclarecer as pessoas sobre o tema, diminui o tabu e pode salvar vidas. Esclarecer as pessoas quanto a importância de procurar ajuda médica se você ou um familiar está tendo pensamentos de morte pode salvar vidas. A forma como o suicídio é divulgado pode aumentar a chance de outros suicídios acontecerem. É o que conhecemos como contágio, ou efeito Werther. Por exemplo, evitar notícias em primeira página, divulgar método, lugar, bilhetes suicidas, apresentar causas únicas, evitar falar em “tentativa bem-sucedida” ou “êxito”. Sempre informar telefones úteis, onde buscar ajuda, sinais de alerta, utilizar linguagem adequada.

Como enfrentar esse problema?

Com informação adequada, levando conhecimento à população, que é um ótimo antídoto contra o preconceito que muitas vezes impede que as pessoas busquem ajuda médica. Também é importante melhorar o acesso ao tratamento. A principal forma de prevenção é o tratamento das condições médicas que estão por trás do risco e a conscientização das pessoas. Falar sobre suicídio pode salvar vidas.

 

Por que o suicídio ainda é encarado como um problema quase invisível?

Pela desinformação, pelo tabu, pela dificuldade de acesso ao tratamento das doenças mentais.

As pessoas estão cada vez mais conectadas e excluídas socialmente. Isso favorece atitudes extremas?

Para aquelas pessoas que já são vulneráveis, sim. Por exemplo, um adolescente que já está deprimido, pode ser atraído por sites que induzem ao suicídio, “jogos” com desafios suicidas, como o “Baleia Azul” e outros que não param de surgir.

O que pode falar mais sobre o suicídio

O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial e algumas condições podem funcionar como fator de risco para ele, doença mental não tratada, isolamento, desemprego, uso de substâncias psicoativas, bulliyng etc. Importante também lembrar que risco de suicídio é uma emergência médica.

 

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