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Grupo visita Aldeia Tekoa Mirim no dia das crianças

Por Editorial BF.

Em meio aos festejos e diversas ações públicas em comemoração ao Dia das Crianças e feriado da Santa Padroeira do Brasil (Nossa Senhora Aparecida), algo em particular chamou a atenção na Baixada,  pelo cruzamento de caminhos,  que foi a Caravana organizada pelo dia da criança, no 12 de outubro,  à aldeia Tekoá Mirim,  a única de Praia Grande. Uma ‘comitiva’ integrada por atores de teatro, apoiadores, onde se levaram alimentos, roupas e, mais aque tudo, se animou a festa das crianças na aldeia, pois o organizador, Rogério Ramos, é ator, contador de histórias para crianças e criativo palhaço, o já conhecido Siriguela. A visita teve a participação de outros artistas como mencionado, Celso Lima com o Palhaço Cerço Selsius e seu bonecos mais a atriz Alexa Kiani com a palhaça Maravilhosa e o palhaço Tuco e seus amigos.

em cena Alexa Kiany como Palhaça Maravilhosa

Mas para mentes atentas, cabe destacar o significado mais que simbólico disto, desde que se conheça a problemática indígena da América. Ocorre que, a partir da comemoração dos 500 anos da chegada dos espanhóis à América (1992), o próprio governo espanhol, e isto até recentemente, tem incentivado o “Dia da la Razia”, ou Dia da Raça, em português, o que eles também dizem dia da hispanidade. Pelo próprio teor racista do título, e em discordância do verdadeiro genocídio indígena que houve (e de certa forma, segue), houve uma reação muito grande de setores progressistas, indígenas, ambientalistas, antropólogos, etc, a estas comemorações, o que criou o movimento de resgate da verdadeira história continental e o caráter até de invasão do território continental mediante armas superiores e massacre premeditado. No Brasil isto não é muito divulgado, mas para nós, da redação do Baixada de Fato, este fato em Praia grande adquiriu um valor mais que simbólico.


‘Segue a entrevista com o ator Rogério Ramos:
1 – Como surgiu a ideia das visitas e caravanas à aldeia Tekoa Mirim? Faz quanto tempo q você realiza isto?
Rogério:  Eu fui fazer uma matéria lá pro jornal que eu dirigia, “Trevo do Litoral”, aí eu peguei a moto e fui, era 2014, eu tinha ‘descoberto’ a aldeia, conversei com eles, e daí surgiu o vínculo, com o cacique Edmílson, com o Luiz Karaí, que agora esta na a aldeia de Pariquera-Açu e em seguida ajudei na participação deles num evento indígena no pátio do Fórum da Cidadania, em Santos, de 3 dias, organizado pelo Verde América e alguns sindicatos. Foi bem bacana.


2- Se percebe uma forte sinergia entre você e as crianças, como teu trabalho está voltado muito às crianças em geral, à contação de histórias – ou estórias, rsrs -, como é a relação com crianças indígenas?
Rogério: – Quanto as crianças indígenas eu pensei que ia ter dificuldades por causa da língua, mas eles são bilíngues, falam tupi-guarani e português, na escola que eles têm na aldeia eles aprendem as duas línguas.  Mas a alegria é língua universal e através das brincadeiras e as palhaçadas funcionaram muito e eles adoraram, os bonecos, os fantoches, aí a brincadeira correu solta e a gargalhada deles foi garantida, foi lindo!
3 – O que você sente quando vai na aldeia? Que coisas te marcaram mais? Você deve ter muitas observações sobre a vivência indígena, como isto te afeta psicologicamente e também no seu dia-a-dia?
Rogério: – O que eu percebo é a luta para manter a cultura deles, nem tanto as crianças que são de fácil absorção de sua própria cultura, mas sim os adolescentes, este conflito com a vida na cidade, que aí entra em choque, o celular, as coisas materiais, etc, então o conflito entre a vida na mata, na aldeia, e na cidade, e aí eles se sentem perdidos, muitos abandonam suas raízes e tradições e então perdem a identidade deles, aí vem o conflito pessoal e a depressão, e eu acho que a  nossa sociedade não está tão aberta para receber eles. Isso  mexe muito comigo. Vê-los pelas ruas das cidades até mendigando me incomoda e me move a fazer algo por eles.  Algumas pessoas foram primordiais nesta visita e gostaria de agradecer a elas como Celso Lima  e Alexa Kiany, a Patricia Leite, Sr Helio e sua esposa Adriana, o Tuca e sua família, o Vicente, dona Maria da Ong corrente do Amor,  e outros amigos que doaram seu tempo e mais alguns materiais para tornar esse dia inesquecível e especial. Estamos organizando futuras caravanas para que nesta troca de cultura possamos aprender a respeitar mais a cultura dos nossos irmão indígenas.

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