Cidade São Vicente

Legislativo vicentino compromete-se com a aldeia Tekoá Paranapuã

Foto: Ailton Martins

Nesta quinta-feira (16/02) um grupo de indígenas (etnia Guarani M’Bya) da aldeia de Paranapuã de São Vicente compareceram na Sessão Legislativa atendendo o convite do vereador Joseval Rodrigues Bezerra (PSDB), mais conhecido como Jabá. Durante sua fala na tribuna, o vereador discursou sobre a questão indígena no município, segundo ele é preciso que o poder público assuma as devidas responsabilidades com a comunidade indígena vicentina que há cerca de 13 anos passa por diversas dificuldades. 

“Essa casa de lei tem por obrigação tomar força para resolver diversas questões pendentes que envolvem o dia a dia do índio […] assim instituir uma comissão especial de vereadores para tratar junto aos órgãos competentes o melhor atendimento e o resgaste da cidadania dos índios […] É preciso que tenha saúde na aldeia, a própria comida, nós sabemos que uma cesta-básica pra cada família. Qual a família vive hoje com uma cesta básica, uma família de dez pessoas? Por isso eu acho que é o dever dessa casa, dessa cidade, defender os índios aqui […] É muito fácil, é muito bonito, a gente ver a encenação, ver a apresentação dos índios, mas não saber o que eles passam no dia a dia”.

Ao término da Sessão os indígenas reuniram-se com um grupo de vereadores juntamente com o presidente da câmara, vereador Wilson Cardoso (PSB) para exporem as principais questões que afetam a comunidade, e que inicialmente são:

Saúde: o precário atendimento médico oferecido pela SESAI Secretaria de Saúde Indígena.
Transporte escolar: no parque não há escolas, com isso os jovens indígenas precisam andar da aldeia até o bairro Parque Bitarú, para acessar a escola mais próxima que fica ao lado do Centro de Convenções, (cerca de uma hora andando) sendo que para os que estudam no período noturno, falta segurança, assaltos já ocorreram.
Educação: a merenda que o Estado envia é baseado em “bolinho Ana Maria e suco” além de ser algo nocivo à saúde das crianças, retira o soberania alimentar indígena que possui culinária diferente da pessoa não indígena. Importante dizer que a merenda é um direito, o Estado precisa enviar alimentos adequados, se possível instalar uma cozinha para preparação de alimentos como ocorre em diversas outras aldeias onde a terra está demarcada, afinal, independente de isso ser um processo que corre na justiça, antes de qualquer decisão é preciso garantir o direito à alimentação.
Comercialização de artesanato: Que o município crie condições para os indígenas comercializarem seus artesanatos, isto, inclusive, tem relação direta com o turismo, a valorização da cultura indígena vicentina na cidade passa por essa questão.

De acordo com os vereadores presentes, todo o legislativo concorda em buscar as soluções para os problemas que atingem a comunidade e colocaram-se à disposição para sempre atenderem as reivindicações da comunidade.

Considerações

Existem outras demandas que precisam ser resolvidas para que se garanta a dignidade plena dos indígenas da aldeia Tekoá Paranapuã, entretanto, estes pontos apresentados garantem o básico. Todavia, é importante, antes de qualquer passo, haver diálogo entre o poder público e os órgãos responsáveis: FUNAI e SESAI, além de aprofundamento de entendimento da questão indígena como um todo, para desta forma pensar projetos, afinal, a maior parte dos vereadores que pronunciaram-se demostraram bastante desconhecimento, chegaram a chamar a comunidade Guarani M’bya de “Tribo Xixová”. Enfim, Xixová é o nome do parque onde localiza-se a aldeia, e as palavras: “tribo” e ” primitivo” são termos utilizados de forma equivocada quando referem-se aos indígenas.

Neste link várias matérias sobre a aldeia

Acesse aqui para assistir aos vídeos com a fala de liderança de Paranapuã, com o vereador Jabá e também o vídeo completo com a reunião dos indígenas com os vereadores. 

Artigo de Ailton Martins, originalmente publicado no blog Frequência Caiçara que pode ser acessado aqui

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