Baixada Santista

O brasileiro perseguido pela ditadura que ganhou o “Nobel da Geografia”

Por Maria Fernanda Batista

Milton Almeida dos Santos nasceu em Brotas de Macaúbas (BA), no dia 3 de maio de 1926, e foi um geógrafo brasileiro.

Graduado em Direito, destacou-se por seus trabalhos em diversas áreas da geografia, em especial nos estudos de urbanização do Terceiro Mundo. Foi um dos grandes nomes da renovação da geografia no Brasil ocorrida na década de 1970. Também se destacou por seus trabalhos sobre a globalização nos anos 1990. A obra de Milton Santos caracterizou-se por apresentar um posicionamento crítico ao sistema capitalista, e seus pressupostos teóricos dominantes na geografia de seu tempo.

Ao terminar os estudos ginasiais, Milton Santos fez o curso pré-jurídico entre 1942 e 1943 e com 18 anos prestou o vestibular para direito na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, formando-se em 1948. Mas não deixou o interesse pela geografia de lado.

Ele também trabalhou no jornal ‘A Tarde’, primeiro como correspondente, depois como editor. Na mesma época, escreveu o livro ‘Zona do Cacau’, posteriormente incluído na Coleção Brasiliana, já com influência da escola francesa do pós-guerra.

No Congresso Internacional de Geografia, sediado no Rio de Janeiro, Milton Santos foi convidado para fazer doutorado na França. Entre 1956 e 1958, Milton concluiu seu doutorado na Universidade de Estrasburgo, com a tese ‘O Centro da Cidade de Salvador’.

Ao regressar ao Brasil, criou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais, mantendo intercâmbio com os mestres franceses. Em 1960, tornou-se livre-docente em Geografia Humana pela Universidade Federal da Bahia. Nessa época, teve presença marcante na vida acadêmica, em atividades jornalísticas e políticas de Salvador. Em 1961, viajou a Cuba, como editor do jornal ‘A Tarde’, com a comitiva de Jânio Quadros, então eleito Presidente da República. Logo após ser empossado, Jânio Quadros o convidou para ser subchefe da casa civil na Bahia, cargo que exerceu durante o curto mandato do presidente.

Em 1964, logo após o golpe militar que instituiu a ditadura no Brasil, Milton Santos foi preso. Em junho, na véspera do dia de São João, devido a um início de AVC, foi levado ao hospital e depois foi solto. Nessa época, já tinha recebido vários convites para trabalhar em universidades francesas, porém estava impedido de deixar o país.

Importantes personalidades locais, sobretudo o cônsul da França na Bahia na época, intervieram junto às autoridades militares locais para negociar sua saída do país, após ter cumprido meio ano de prisão domiciliar. Milton conseguiu deixar o Brasil, partindo para a França. Ele achou que ficaria fora do país por seis meses, mas acabou ficando 13 anos. No período, passou por universidades de diferentes países: foi pesquisador no MIT (Massachusetts Institute of Technology – EUA) e professor convidado nas universidades de Toronto (Canadá), Caracas (Venezuela), Dar-es-Salam (Tanzânia) e Columbia University (New York).

Milton Santos retornou ao Brasil em 1977 e em 1978 publicou o livro ‘Por uma Geografia Nova’, no qual criticava os parâmetros existentes e pedia pela renovação dessa ciência. Produzindo muito, antes e depois do exílio, o impacto de suas obras no Brasil foi enorme.

Milton Santos ganhou o Prêmio Vautrin Lud, em 1994, o de maior prestígio na área da geografia. O prêmio é considerado “o Nobel da Geografia”. Milton Santos foi o primeiro e é o único geógrafo da América Latina a ter ganhado o prêmio em questão. Foi também agraciado postumamente, em 2006, com o Prêmio Anísio Teixeira. Milton Santos continuou lecionando na USP até sua aposentadoria, em 1997. Milton Santos faleceu em 20 de julho de 2001, aos 75 anos, em São Paulo.

Para saber mais sobre ele, acesse miltonsantos.com.br. O site é mantido pela família de Milton Santos e reúne informações e materiais relacionados à vida e à obra do geógrafo.

Fonte: Observatório do 3° Setor

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