Cidade Santos

O Perigo dos Navios-Bomba no Estuário da Baixada Santista

Por Jeffer Castello Branco,

Presidente da ACPO (Associação Contra os Produtos Organoclorados)

 

O gás vem de perfurações profundas em rocha e outras formações geológicas que podem chegar a mais de 3 km de profundidade. Posteriormente, começa uma perfuração horizontal que pode chegar a 2 km de extensão. Em seguida, um fluído é bombeado para dentro desse túnel com altíssima pressão (62 mil kiloPascal ou 9 mil libras/polegada quadrada). Essa pressão é alta o
suficiente para partir a rocha e causar fissuras por onde irá escoar o gás (daí o termo Fracking). Esse fluido que é bombeado, é basicamente água com a presença de alguns aditivos químicos, como detergentes, sais, ácidos, lubrificantes e desinfetantes. Assim, o gás é bombeado de volta a superfície, junto com um flowback liquid, que é um líquido que contém água e um número de contaminantes como material radioativo, metais pesados, hidrocarbonetos e outras toxinas. Esse
líquido altamente contaminado é injetado de volta em poços profundos ou enviado para o sistema de tratamento de efluentes.
Segundo a geologista estrutural da Universidade Lawrance, “a água formada é a água salgada que estava nos espaços porosos das rochas e pode ter altos índices de gás radioativo. Flowback water pode ser tratada, mas os volumes são grandes e o processo é caro e além do que muitas cidades conseguem tratar.”
A “história” do gás começa assim: pode desestabilizar placas e causar terremotos, poluir o lençol freático, causar problemas de saúde, liberar gases tóxicos e que contribuem para o efeito estufa e o aquecimento global.
A partir daí, para baratear o transporte, é preciso comprimi-lo para caber mais gás em cada navio, o que se dá resfriando e liquefazendo o mesmo, e isso se dá resfriando-o à -164°C. Mas peraí, o objetivo não é gerar energia? Imaginem a quantidade de energia necessária para resfriar o gás à -164°C! Sem contar a energia de perfuração, transporte, industrialização! Esse processo não tem
lógica! Vive de subsídios e isenções fiscais, que são o sequestro da renda da população mais carente, gerando uma energia que não precisamos e que é toda consumida pelo próprio processo.
E após a instalação de um terminal de gás, quais os riscos? Quando o gás entra em contato com o ar, evapora rapidamente, pode explodir e pegar fogo. Devido a esses problemas e riscos, o
Departamento de Energia dos EUA solicitou um estudo para avaliar o impacto potencial de acidentes com tanques de gás ou navios tanque. Os resultados foram:
Caso haja algum vazamento:
1) o gás congelaria, sufocaria e mataria tudo que estivesse em um raio de 500m de distância instantaneamente;
2) em contato com o ar, teria grande chance de explodir, queimar e matar tudo em um raio de 1,6km;
3) o gás continuaria queimando e poderia intoxicar todos os seres em um raio de 3,5km. Por outro lado, a Sociedade Internacional de Tanques de Gás e Operadores de Terminais (SIGTTO) aponta algumas medidas de segurança:
Os portos para GNL devem estar localizados em áreas distantes das cidades para não afetar civis;
– Os berços de atracação devem estar distantes do trânsito de outros navios, balsas e outras embarcações para prevenir acidentes;
– Os portos para GNL devem estar localizados onde eles não conflitem com o trânsito de outras embarcações;
– Canais longos e estreitos devem ser evitados devido ao grande risco de navegação.Ou seja, nós não temos nenhuma dessas condições no Porto de Santos!
Além disso, de 2003 a 2015 foram 13 acidentes com GNL pelo mundo, ou seja, uma média de 1 acidente grave por ano. Imaginem o impacto social, econômico e ambiental desse projeto?! Conseguem ver a falta de lógica?
Vivemos em uma região com alta incidência de luz solar. Sim! O sol é a fonte de energia inesgotável que precisamos. O sol não vai cobrar por seu calor! Será por isso que não investimos em energia solar? A população livre de uma conta mensal não interessa? O sol dá em apenas 1 hora a energia que a humanidade toda consome em 1 ano! Não precisaremos perfurar quilômetros, gastar energia pra resfriar, queimar combustível pra transportar e tudo isso com um risco de contaminação
altíssimo e desnecessário.
Busquemos o que é melhor para a cidade e seus cidadãos! Precisamos investir em fontes de energia limpa, eficiente e inesgotável. Essas fontes são conhecidas por Sol, Mar e Vento, e
engenharia é saber tirar o melhor proveito dos recursos existentes, com o menor custo e melhores resultados.
Fontes:
Sandia Reports – Guia de Análise de Risco e Implicações de Segurança no caso de Vazamento de LNG na Água.

 

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