Cidade Santos

Os pobres sempre excluídos

Por Marcio Aurelio Soares.
Diante do crescimento exponencial da ocorrência de coronavírus em Santos e que única alternativa é o bloqueio de sua transmissão, entendemos que nossa luta neste momento é de todos pelo direito básico à vida.

Apesar das medidas listadas pelos prefeitos da baixada santista já serem um avanço, pensamos que ainda são muito tímidas e contemplam somente aquelas e aqueles que tem infraestrutura para manter-se em isolamento. Essa não é mais uma questão individual. O que afetar o outro, afetará a mim e a nós todos.

Vivemos em uma crise econômica sem precedentes. Somos mais de 40 milhões de trabalhadoras e trabalhadores sem emprego, desvalidos ou vivendo de bicos. O número de pessoas sem carteira assinada supera em muito aqueles que tem emprego registrado. Um terço dos habitantes da cidade vivem com menos de meio salário mínimo e em condições de alta vulnerabilidade social e espacial. São milhares vivendo sobre palafitas, cortiços e nos morros, estes recentemente atingidos por uma tragédia devido à falta de planejamento para enfrentamento às chuvas.

A orientação do Ministério da Saúde é a de testar para coranavírus somente os pacientes sintomáticos internados, ao contrário da OMS – Organização Mundial de Saúde, que orienta a testagem de todos os indivíduos sintomáticos e, em caso positivo, recomenda isolamento por 14 dias, inclusive de seu núcleo familiar. Provavelmente a decisão das autoridades brasileiras se justifica pela insuficiência de kits diagnósticos no país. Isso significa dizer que as informações oficiais estão subnotificadas. Um paciente infectado pode ter transmitido o vírus para centenas de pessoas, dependendo da atividade que teve nos dias antecedentes ao aparecimento dos sintomas.

Assim proponho no âmbito municipal:

1. Constituição de um grande corpo de voluntários: mulheres e homens saudáveis abaixo de 45 anos de idade, em especial, estudantes universitários da área da saúde.
Esse grupo deverá ser capacitado e organizado por servidores assistenciais da prefeitura e agentes comunitários de saúde, com o objetivo de:
a. Levar educação sanitária e itens de higiene pessoal (sabão álcool em gel, etc) aos mais pobres, periféricos e desassistidos;
b. Realizar rastreamento diagnóstico (tomada de temperatura e/ou observação de sintomas respiratórios);
c. Realizar diagnóstico sócio familiar: em caso de impossibilidade de manter-se em quarentena por 14 dias, encaminhar a família para abrigo especialmente destinado para este fim;
d. Quantificar o número de alojamentos públicos e privados, como clubes esportivos, pensões e hotéis e adequá-los para o acolhimento de indivíduos em quarentena;
e. Realizar treinamento permanente de funcionários públicos, incluindo aqueles que trabalham na área de apoio como auxiliares de limpeza, ajudantes, atendentes, administrativos, recepcionistas, etc;
f. Visitar espaços públicos e comércios (supermercados, call centers, etc), ainda autorizados a funcionar, afim de orientar funcionários e usuários quanto as medidas de prevenção do vírus;
2. Isolar profissionais de saúde que trabalham em linha de frente de atendimento a pacientes portadores de coronavírus que estejam com sintomáticos residenciais e encaminhá-los para abrigo destinados para este fim.

3. Estabelecer informação on line em tempo real da quantificação dos casos na Baixada Santista e especificamente em Santos distribuída por: suspeitos, diagnosticados, internados em enfermaria e UTI e óbitos.
Marcio Aurelio Soares
Médico sanistarista. Presidente do MCDR – Movimento Cultural Darcy Ribeiro – PDT Santos
CRM 71.765
RG 28.325.432-3

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