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Produção de algodão orgânico em assentamento na Paraíba ganha prêmio nacional

Momento Agroecológico

Marcos Hermanson, 21 de Novembro de 2019 às 09:31

A rede é composta majoritariamente por assentados da reforma agrária  - Créditos: Fabiano José Perina/Embrapa
A rede é composta majoritariamente por assentados da reforma agrária / Fabiano José Perina/Embrapa

Agricultores se preocupam com a saúde do produtor e a proteção da biodiversidade

A Organização Não Governamental paraibana Arribaçã ganhou o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social de 2019 pela produção de algodão orgânico. O trabalho é desenvolvido nas regiões de Borborema e Cariri Ocidental, na Paraíba, desde 2003. A organização assessora agricultores familiares no estado.

Com a metodologia “O Algodão Agroecológico Gerando Renda e Conhecimento no Curimataú Paraibano”, os responsáveis pela iniciativa receberam 50 mil reais e devem usar o dinheiro para expandir o trabalho junto com os agricultores.

Maria Amália Marques é uma das integrantes da ONG Arribaçã. Ela conta que a maior parte dos assessorados é composta por assentados da reforma agrária.

Ela também explica que o trabalho desenvolvido junto aos agricultores levou à criação da Rede Borborema de Agroecologia. A principal função da organização é certificar a produção como orgânica e reconhecida pelo Ministério da Agricultura.

O selo facilita a comercialização no mercado de orgânicos em nível nacional e internacional.

“Esse é o primeiro SPG [Sistema Participativo de Garantia] do estado da Paraíba devidamente credenciado no Ministério da Agricultura, apto a certificar sistemas de produção e usar o selo de orgânicos do Brasil. É uma organização muito importante, que vem fortalecer o processo de produção orgânica e a agroecologia nas áreas de assentamento”, explica Maria.

Os assentamentos que recebem ajuda da Arribaçã seguem critérios como: o cuidado com a saúde do produtor e do solo; a proteção da biodiversidade; a valorização das sementes tradicionais e o respeito aos limites da natureza e as relações humanas.

O valor para obter as certificações é muito alto, por isso, antes da ajuda da Ong, os agricultores da região ficavam dependentes das empresas compradoras de seu produto, pois eram elas que financiavam o processo.

A integrante da ONG conta que isso diminuía a independência e a capacidade de negociação do valor do produto final.

Foi então que, incentivados pela Arribaçã, os produtores se organizaram e formaram a Rede Borborema, o que permitiu que eles mesmos fizessem a certificação da produção.

Atualmente, a rede conta com cinco grupos de produção em assentamentos distribuídos em cidades como Remígio, Prata, Casserengue e Amparo. Ao todo são 34 produtores com certificação para produzir o algodão.

Só em 2019, o grupo certificou mais de 60 unidades de produção, todas de agricultura familiar. Hoje, os agricultores vendem o algodão para uma empresa francesa que fabrica sapatos com matéria-prima sustentável, a Vert Shoes.

Fonte: Brasil de Fato

 

Edição: Michele Carvalho

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