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#RevogaKayo

Por Rafael Moreira

Quando o atual prefeito de São Vicente tomou posse algumas semanas atrás apontei qual seria um dos seus principais problemas: como agradar uma parte da sua base eleitoral que tem um discurso progressista e apostava no seu discurso de mudança, se os apoios políticos articulados por ele se deram com partidos do campo da direita e do “centrão”, representantes do continuísmo? Essa contradição rapidamente vêm à tona agora, com toda polêmica em torno do projeto de escola cívico-militar a ser implantado em uma escola do Jardim Rio Branco, bairro da Área Continental de São Vicente.

A implantação da escola foi decretada pelo prefeito anterior Pedro Gouvêa (MDB) na reta final do seu mandato, em articulação com o deputado estadual Tenente Coimbra (PSL, #FamiliaBoquinha), um deputado sempre próximo do atual prefeito Kayo Amado (PODEMOS). O deputado alega que o modelo militar seria muito melhor para a qualidade do ensino e para reduzir a evasão escolar, mas com uma pequena ironia: argumentou isso escrevendo “evasão” com “Z” algumas semanas atrás. Por sua vez o atual prefeito alega que nada pode ser feito, mas não é bem isso. Tendo sido implantada via decreto, a medida também pode ser revertida via decreto, tal como outras medidas implementadas pelo seu antecessor e que ele próprio reverteu.

A implantação ignora uma das principais promessas de campanha do atual prefeito, que era de ouvir especialistas. Qualquer pesquisador sério sobre o tema da educação pública tem apontado o impacto negativo que esse modelo teria, ao promover um modelo de ensino autoritário e antidemocrático, ignorando a posição dos professores da própria rede apenas para agradar a ala do PSL e dos partidos que o apoiam. Isso sem mencionar o impacto orçamentário, pois enquanto boa parte do orçamento das escolas cívico-militares vai para pagar oficiais da reserva, prejudicando ainda mais o balanço das contas da cidade, o dinheiro poderia e deveria ser investido no salário dos professores da rede e na infraestrutura das escolas.

Por isso me somo ao movimento #RevogaKayo, para que o prefeito faça jus às próprias promessas de campanha.

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