Colunistas Márcia Simões Lopes

Terra – a morada do amor

Por Márcia Simões Lopes

O grande arco do conhecimento –  onde tudo pertence e de onde tudo parte

Uma visão da nossa Casa, o planeta Terra, a partir da sabedoria ancestral.
Nosso planeta Terra é a morada do amor. Nós, seres humanos, nascemos com um coração. A frequência da Terra é amorosa e nós, seres humanos, nascemos com um coração para vibrar nessa frequência amorosa, e aprender com ela. Não sei como são outros planetas e moradas do universo. Mas é fácil perceber a energia harmoniosa que envolve a Terra. As estações do ano e os demais Ritos de Passagem da natureza configuram esse cenário harmonioso.
Cada estação traz determinada energia à terra e aos filhos da terra. A terra se nutre e compartilha seus frutos com os filhos da terra. Tudo o que acontece à terra acontece também aos filhos da terra. A natureza se manifesta visceralmente no íntimo de todos os seres vivos do planeta. É dessa constatação que parte o entendimento dos nativos, sobre a Grande Teia da vida. De onde flui, a energia do Pertencimento.
O outono fala do desprendimento; quando as folhas das árvores caem abrindo caminhos ao surgimento da vida.O ciclo morte-renascimento. No corpo da mulher, outono é o ciclo da fecundação se encerrando, dando passagem ao sangue que verte, renovando e preparando o organismo à uma nova fase de fertilidade. No inverno, a terra se recolhe em um longo descanso. Para após, brotar, primavera! O inverno nos joga para dentro de nós, proporcionando momentos de encontro conosco, de reflexão. É um período de silêncio. Primavera é renascimento; dá vida ao que foi sonhado! A primavera traz a oportunidade de enxergar – com clareza –  o que a pessoa tem cultivado no caminho dela. Se a pessoa não está presente na vida dela, naquilo que ela faz, nem tudo que ela semear será parte do caminho dela. A colheita é a constatação dessa condição. Quando colhemos, percebemos o que plantamos de positivo e de negativo. É quando temos a oportunidade de reconhecer nossas falhas, buscando uma clareza de nós mesmos. O importante é observar o que se apresentou. Assim, corremos o bom risco de aprender e de não repetir mais o mesmo padrão. O verão é a expansão de tudo o que foi sonhado; é o usufruto da colheita, da fartura que chegou para nós, abundância de luz no planeta encorajando e proporcionando o autoconhecimento.
Cada lua traz determinadas energias, que mexem com a água do planeta e com o líquido do nosso corpo. Movimentando, a saúde, as emoções, memórias e outros aspectos da nossa natureza. Na lua nova, a seiva da planta está na raiz. Por isso é aconselhado aparar as pontas dos cabelos nessa lua, pois a força dos cabelos está na raiz e não nas pontas. Por isso, também, é na lua nova o momento adequado para plantar raízes, como mandioca, batatas outras raízes e turbéculos. Pois estão mais propícios a absorver os minerais daquela terra, nesse ciclo lunar. Seguindo o ciclo da natureza é aconselhável na lua nova apropriar-se de velhas questões, para outros pontos de vista sobre velhos pensamentos, seguidos de finalizações.
Quem é do mar sabe, que em período de lua cheia a relação com o oceano, muda. Pescadores saem para passar o “picaré” – antiga prática nas pequenas cidades do litoral brasileiro. Nessa época, os pescadores com uma grande rede de pesca entram no mar até a altura do peito, cada qual de um lado, formando o desenho de um arco, de 180 graus, e após voltam arrastando a rede até a beira da água. A rede chega repleta de peixes. Nessa fase da lua, a água do mar cria volume e atrai os peixes para a beira e à tona d’água.  Também, vem à superfície mais facilmente nessa fase da lua, aquilo que está escondido em nossas entranhas e no inconsciente; e por isso ficamos mais sensíveis – a flor da pele como se diz! –  na lua cheia. Porém, se, invés de se debater com o que tenta esconder, buscar acessar as informações que se apresentam, enxergando o que está entranhado, terá chances de trazer soluções e sanar aquilo que está em você. Também nessa mesma época de lua cheia está estatisticamente comprovado o aumento do número de partos, nas maternidades –  como se a maré cheia impulsionasse a vida para fora, trazendo o bebê à tona. A lua cheia é um bom período para a mulher engravidar. Não coincidentemente é nessa fase da lua quando ocorre uma grande incidência de luz no planeta. E igualmente essa incidência de luz acontece no íntimo da mulher. Lembrando que nós, seres humanos, somos seres de luz. Sabe-se que o líquido amniótico que envolve o bebê no útero da mãe possui características similares às propriedades encontradas no oceano. Nessa fase da lua, a seiva das plantas está na ponta e na copa das árvores. e por isso não parece ser o bom momento para podar as plantas.
A lua que mingua – minguante – prepara o fim de um ciclo no corpo da terra e em todos os seres vivos que nela habitam! E a lua que cresce – crescente – renasce com a força e a estrutura para o ressurgimento de um novo ciclo.
A energia emanada em cada Rito de Passagem na natureza traz medicinas adequadas às necessidades da terra e de todos os organismo vivos, inclusive o organismo humano. Por isso é aconselhado, para a saúde, comer alimentos de cada estação. Porque o nosso organismo humano é a semelhança da terra.  Cada ciclo de estação proporciona determinada quantidade de chuvas e variada incidência do sol – luz – na terra, gerando diferentes tipos de minerais, com nutrientes distintos. Come-se abacate no inverno e abacaxi no verão porque nessas estações são produzidos esses minerais que, em ressonância à terra são, fonte de nutrientes necessários ao nosso corpo!
Estar ciente desse conhecimento permite à pessoa usufruir de cada Rito de Passagem em benefício da própria saúde.
Os povos nativos compartilham os conhecimentos antigos, obtidos através da observação da natureza e do universo, e passados oralmente, de geração em geração, cuidando com esses saberes, da saúde da comunidade.
Para os nativos, existe um deus para cada coisa, um deus para o rio, um deus para a floresta, um deus para a montanha … e existe um deus, maestro, que rege tudo isso. Enquanto organismo vivo, a Terra é a Mãe, fonte fornecedora do ar, da água, do fogo e da terra, proporcionando os alimentos que seus filhos necessitam para manterem-se vivos e saudáveis.
Essa é a natureza amorosa do Planeta Terra e assim é, igualmente, a real natureza dos filhos da terra.
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