Colunistas Márcia Simões Lopes

Toda Mulher é Mãe

Por Márcia Simões Lopes

Às mulheres que não tiveram filhos, nesta vida. Às mulheres todas! Compartilho anualmente este texto, no dia das mães e no dia da mulher. Épocas quando mensagens repletas de bons atributos às mulheres que passaram pela experiência de ter filho, surgem. Criando distinção entre Mulheres que tiveram filho e Mulheres que não tiveram filho. Separando a Mulher da Mãe.
Toda Mulher é Mãe!
Segue texto compartilhando, a medicina do Sagrado Feminino Ancestral. De onde somos conectadas, de onde somos Uma.
Conforme fui realizando trabalhos curadores com mulheres que não tinham parido, fui percebendo o quão sofredor era para elas conviver com o estigma de “mulher sem filho”. Vistas dessa forma pelas outras mulheres, inclusive.
Todas, sem exceção, estampavam uma melancolia no corpo, no olhar e em seus corações, como se carregassem uma praga, um karma, uma maldição, como se tivessem seus úteros bichados, como se não prestassem para a vida a não ser para suprir a necessidade, uma falta qualquer da verdadeira mulher, aquela chamada de mãe.
A discriminação da mulher sem filhos, dentro da família, talvez seja o mais severo mecanismo de exclusão. Um pequeno modelo, uma micro célula da sociedade patriarcal. Mulher que não tem filhos é vista como mulher sem família. É a eterna “filha”. E não, “mulher”. Algo como um baú antigo sem função; um móvel bom porém sem utilidade, mantido em casa embora sem serventia.
Assim são tratadas, na família e na sociedade, grande parte das mulheres que não pariram. No trabalho são vistas como mulheres “sem compromisso”. Porque não têm filhos e segundo a logística social, não carecem de responsabilidades. Estão “livre”. Disponíveis. São descompromissadas. Não sabem o que é criar um filho; não sabem das responsabilidades de ser mãe e por isso estão aquém da grandeza de serem “mulher”.
Sobra muita pouca coisa, realmente, do ponto de vista da sociedade machista, para as mulheres que não passaram pela experiência de ter filhos, gerados a partir delas mesmas ou não.
E muitas dessas mulheres, por não perceberem essa discriminação, tão sutilmente entranhada na família e na sociedade trazem para dentro de si essa separação. Apartando-se do próprio útero. Separando-se da energia do Pertencimento da qual toda mulher é parte. E sem perceber, a maioria dessas mulheres que não viveu a experiência de ter filhos se  distancia do Sagrado Feminino Ancestral!
E ao se separar do seu Sagrado, ao se apartar do berço da Criação, o útero, desvalorizada na família e na sociedade, ela murcha. Emocionalmente, murchar. Energeticamente, murchar.
Como se o fato de não ter gerado filhos não a tornasse inteira; como se faltasse parte do seu Feminino.
Não compreende ela própria. E carrega, como verdade, o que lhe é dito. Perdeu-se dela mesma porque acredita que é incompleta. Porque acredita ser metade.
Conheci muitas dessas mulheres. Todas, de alguma maneira, adoecidas. Separadas do próprio útero. Mulheres que sentiam-se diminuídas diante dos saberes da maternidade. Não ocupavam o espaço sagrado do seu Feminino. Abdicaram desse sagrado em nome de tudo o que ouviram a respeito de quem supostamente seriam. A respeito do que “não sabem”.
Mulheres adoecidas por não saberem que não precisam parir filhos, para serem mãe!
Toda mulher é mãe!
Outrora, as mulheres que não pariam eram desprezadas e internadas como histéricas – diagnóstico dado à época para justificar o encaminhamento de mulheres estéreis ao tratamento psiquiátrico. A palavra “histeria” existe há mais de dois mil anos. A partir da antigüidade e em particular com Hipócrates, a histeria já era usada para designar transtornos nervosos em mulheres que não haviam tido gravidez.
Em verdade, o confinamento de mulheres, pelos médicos – homens, todos! – ocorria em função do entendimento de que uma mulher estéril não trazia serventia à sociedade. Não era útil, pois, se não podia gerar filhos não poderia servir à perpetuação da riqueza, da herança e da continuidade de negócios da família e coisas afins. Uma mentalidade da cultura machista, que é a cultura da violência, manifestada na sociedade patriarcal, presente ainda hoje.
Cada qual, mulher ou não, tem um propósito neste Planeta. Não é obrigação, ou Lei, tampouco “o curso normal da história da mulher” ao longo da sua evolução, casar e gerar filhos. Essa é uma construção do patriarcado.
O útero da mulher sem filhos é igualmente conectado ao Grande Oceano –  como é de toda mulher; de onde partem os sonhos, de onde é lançada a teia.
Uma mulher sem parir não é menos mulher, como acreditavam e diziam os homens do patriarcado, seguidos pela grande maioria das mulheres, à época, submissas. Não há demência, insanidade ou algo de errado com a mulher que por escolha ou não, não passou pela experiência de ter filhos.
O diferença de uma mulher que tem filhos da mulher que não pariu é a experiência de ter tido ou não filho. Não passar por essa experiência não tira da mulher, os talentos de ser mãe: os atributos do Sagrado Feminino Ancestral.

Tenho me dedicado ao esclarecimento dessa cultura separatista, herdada do patriarcado. Distanciando a mulher do seu Sagrado. Dividindo-a em categorias, entre mulheras que davam filhos à sociedade e as que não geravam filhos à sociedade; separando-as entre aquelas que geravam herdeiros e as que não geravam herdeiros, entre as que não geravam filhos e as “férteis”. Dividindo-as entre úteis e inúteis.

 

 

Que todas as mulheres, que não viveram a experiência da maternidade possam restaurar dentro delas, a energia do Pertencimento. Presente no útero de todas as mulheres. Que o Poder Criativo, presente em toda mulher seja reconhecido, em cada uma das mulheres. Que seja transmutada a energia da separação – invenção do patriarcado –  dando passagem ao Pertencimento.  Toda mulher é mãe!

 

Lindo dia das Mães a todas as Mulheres!
Toda Mulher é Mãe!

 

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