Andre Vitor Colunistas

Tuiuti tuitou geral: o mundialito de 81 no Uruguai e o carnaval de 2018, alentos para tempos melhores.

 

Por André Vitor.

Alguns menosprezam a importância do carnaval. Isso é fato.
Mas é inegável que golpistas não conseguem mais abafar a repercussão do desfile da escola de samba Paraíso do Tuiuti. Nem a Globo, nem o Uol conseguem empurrar para debaixo do tapete uma crítica tão brutal à situação política que vivemos como a que vimos tão bem representada no desfile apresentado pela escola de samba carioca. Todos falam disso!

Mas por que acreditar que isso poderia ser a gênese de uma transformação no país?

Me lembro de um episódio acontecido em nosso vizinho, o Uruguai, no início dos anos 80. Lá, a Operação Condor, assim como no Brasil, havia proporcionado o recrudescimento da ditadura e o povo uruguaio vivia com medo, muito medo.

Eduardo Galeano falou sobre isso no irretocável documentário do Lúcio de Castro, Memórias de Chumbo – o Futebol nos Tempos do Condor. Tem no Youtube…

Pois, naquela plaga houve um mundialito incentivado pela ditadura para que, mais uma vez, um país pudesse mostrar por meio do esporte sua força. A final era entre Brasil vs Uruguai e, resumindo a história, em um momento da partida, a torcida começou a cantar, em pleno Estádio Centenário repleto de militares: “vai acabar, vai acabar, a ditadura militar!”

Diante desse caldeirão visto no estádio até os fardados se sentiram acuados e não reagiram deixando o local como cães sem dono. Em resumo, historiadores são unânimes ao afirmar que essa apoteose foi o germe do fim da repressão no país. A partir disso, as pessoas se sentiram encorajadas a reagir e a enfrentar o medo imposto por anos de violência, tortura e censura.

E tudo isso tem muito a ver com o desfile da Tuiuti, no carnaval carioca de 2018. O desfile provocou, mais do que qualquer protesto, uma reação de orgulho e esperança de tempos melhores. Muitos se sentiram encorajados e amparados pelo samba e pelo desfile que funcionaram como um hino, um combustível, um alento de que sim: é possível vencer esses tempos sombrios mais rápido do que as décadas que antes acreditávamos serem necessárias.

E mais, serviu para mostrar aos ignorantes a importância do futebol e do carnaval como agentes de transformação social de uma sociedade. Afinal, tanto a torcida no Estádio Centenário como a Paraíso do Tuiuti fizeram exatamente isso: História. E que maravilhoso isso ter sido possível a partir de festas emergidas do povo.

Como precisa ser.

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