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Baixada Santista tem quase 53 mil crianças e jovens em vulnerabilidade social

Indicadores revelam que um contingente superior a 52 mil jovens e adolescentes, entre 15 a 24 anos, vivem em condições de vulnerabilidade social na Baixada Santista

30 de julho de 2018 – 19:22

Fernando De Maria – BoqNews

Dique da Vila Gilda, em Santos: indicadores negativos onde moram mais de 20 mil pessoas

A Baixada Santista abriga um contingente de 52.650 adolescentes e jovens, de 15 a 24 anos, que vivem em condições de vulnerabilidade social.

Os números fazem parte do levantamento que o Boqnews.com fez junto à pesquisa Atlas da Vulnerabilidade Social nos Municípios e Regiões Metropolitanas Brasileiras (vide o link).

Diversos itens compõem o levantamento elaborado pela IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

O levantamento leva em consideração três tópicos, divididos em 16 itens:

Dimensão Infraestrutura urbana – coleta de lixo, água e esgoto inadequados, tempo de deslocamento casa-trabalho

Dimensão capital humano – mortalidade infantil, crianças de 6 a 14 anos fora da escola, mães jovens (10 a 17 anos), entre outros temas

Dimensão renda e trabalho – trabalho infantil, baixa renda e dependência de idosos, entre outros temas.

Os dados comparam informações dos censos de 2000 e 2010 e foram desenvolvidos na primeira metade desta década.

Com a piora da economia é provável, aliás, que tais indicadores tenham piorado em relação ao último censo (2010).

Dados por cidades

Um dos pontos importantes do estudo é que ele revela números por cidades e até bairros/regiões.

Desta forma, foi possível chegar ao número de quase 53 mil jovens e adolescentes – quantidade bem próxima à população de Mongaguá, por exemplo.

Para se ter ideia, se este contingente fosse uma cidade, estaria entre as 700 maiores do País – ou entre as 150 do Estado de São Paulo, o que revela a gravidade da situação.

Os indicadores foram divididos por escalas:

  • menores de 0,2000 – muito baixa vulnerabilidade;
  • 0,20 a 0,30 – baixa;
  • 0,30 a 0,40 – média;
  • 0,40 a 0,50 – alta;
  • acima de 0,50 – muito alta.

No entanto, dentro da mesma cidade existem indicadores bem distintos.

Por exemplo: o contraste entre a orla de Santos, especialmente em bairros como Boqueirão, com os indicadores da Vila Gilda, a maior favela de palafitas do País.

Em Bertioga, por exemplo, o índice  IVS no Bairro Vista Linda chega a 0,048.

Já em Guaratuba, 0,404 – extremos em uma mesma cidade levando em consideração os indicadores apontados pelo IPEA (dados de 2010).

 

Cidades onde os adolescentes e jovens são mais vulneráveis

Pelo levantamento, Guarujá (com 11.866 registros), São Vicente (10.601) e Praia Grande (9.518) são as cidades que concentram a maior concentração de adolescentes e jovens que se encontram em vulnerabilidade social.

Somadas, as três  representam 60,7% do total.

Já 72.100 mulheres chefes de famílias e com filhos menores de 15 anos vivem em más condições na Baixada Santista.

Por cidades, são 14.634 em São Vicente, 14.512 em Santos, 13.446 em Guarujá e 12.021 em Praia Grande.

Outro indicador: 31.431 pessoas em condições de vulnerabilidade têm pelo menos um idoso em casa – muitas vezes a única fonte de renda da família.

Este cenário é mais frequente em São Vicente, com 7.015 casos, seguido por Santos, com 5.539 e Praia Grande, com 5.260 casos.

Vale lembrar que, pela ordem, as cidades mais populosas da Baixada Santista são Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande  e Cubatão.

 

Baixada Santista é formada por 9 municípios, onde as discrepâncias sociais são significativas. Foto: Divulgação

Por cidades

Assim, algumas cidades da região têm indicadores piores que as piores regiões metropolitanas do País.

Pela ordem, os mais negativos indicadores metropolitanos do IVSs são de Manaus (0,415), São Luis (0,395), Recife (0,392), Salvador (0,369) e Belém (0,351).

No tocante à Infra-Estrutura Urbana, por exemplo, São Vicente recebe o índice 0,406 – portanto, vulnerabilidade alta.

Outra cidade que também tem indicador negativo neste tópico é Praia Grande, com 0,378 (média).

Já no tocante ao Capital Humano, sete das nove cidades encontram-se entre 0,300 a 0,400 (indicadores médios).

A mais baixa é Bertioga, com 0,391. A melhor, Santos, com 0,187.

Já no item Renda e Trabalho, as três cidades do Litoral Sul são as que apresentam os piores indicadores – sinal da necessidade de maior geração de empregos nestas localidades.

Peruíbe, com 0,329, Mongaguá, com 0,306 e Itanhaém, 0,300 entraram no indicador ‘médio’.

As demais cidades, na classificação ‘baixa’.

Santos foi a única com menos de 0,200 (0,174), apontando baixa vulnerabilidade neste item.

 

Outros indicadores

Cubatão, com 2,13%, é, proporcionalmente, a cidade com o pior percentual de atendimento de água e esgoto à população.

E ainda: as piores rendas per capita (dados de 2010) estão entre moradores de São Vicente (18,45% do total), Praia Grande (16,68%) e Guarujá (10,26%), o que explica a maior vulnerabilidade de jovens e adolescentes, boa parte sem perspectivas de emprego nestas faixas etárias.

Além disso, 4,15% das crianças de Guarujá entre 6 a 14 anos não frequentam a escola. Em São Vicente, 3,29% e em Praia Grande, 3,11%.

Peruíbe, com 6,05% da população, tem a maior taxa de analfabetismo regional.

Não bastasse, outro indicador preocupante. Afinal, 28,3% da população de Mongaguá tem renda familiar per capita igual ou menor a meio salário mínimo (R$ 477, em valor atualizado) – com base no Censo de 2010. Em Peruíbe, são 26,96%.

No outro extremo está Santos, com 8,08% da população nestas condições.

Desta forma, o Índice de Desenvolvimento Humano das cidades da região varia de 0,730 (Bertioga) a 0,768 (São Vicente). Ou seja, são semelhantes.

Assim, a exceção é Santos, com 0,840, um dos maiores do País.

Uma ilha de exceção, portanto.

 

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