Cidade Cubatão

A Anticultura da Sustentabilidade 1

Por Elio Lopes.

Assistindo as reportagens sobre o rompimento da barragem da VALE em Brumadinho MG, tenho me deparado com os seguintes posicionamentos: temos que instalar alarmes, criar planos de contingência, treinar a população, mudar legislação, exigir laudos com ART ( Anotação de Responsabilidade Técnica) e por aí vai, todas ações sobre os efeitos e não sobre a causa. Aliás, laudos e planos de contingência é o que não faltam e todos com suas devidas ARTs. Porém, o que esses especialistas não apresentam, são sugestões para eliminar a causa, ou seja: acabar definitivamente com esse processo anacrônico de acúmulo de resíduos em barragem, exigindo dessas mineradoras a implantação, operação e manutenção de sistema de tratamento desses efluentes ou a mudança de tecnologia de extração e beneficiamento de minério. Acumular resíduos é como manter uma bomba de efeito retardado, uma hora vai explodir. Como agravante, estamos diante do sucateamento dos Órgãos Ambientais, que já padecem pela inexistência de programas e projetos de controle preventivos e corretivos. Os Órgãos Ambientais de longa data vem adotando uma política de controle aleatória, agindo somente em função de reclamações ou de tragédias ambientais. Diante desse cenário administrativo ineficiente, quando nos deparamos com esse tipo de tragédia, mesmo louvando os esforços do Ministério Público, na maioria das vezes ficamos na condição de “jus sperniandis”, em função de um judiciário sem a mínima sensibilidade e que aceita passivamente a cantilena dos advogados dos infratores. Vejam o exemplo de Mariana, até agora nada aconteceu e a mesma firma, contumaz poluidora, continua impactando o meio ambiente, sendo a protagonista de mais uma tragédia. Se não mudarmos essa ANTICULTURA DA SUSTENTABILIDADE, só nos resta esperar de forma lenta, porém inexorável, pela próxima vítima.

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